"Existe uma vela acesa, ao fundo da sala, um espelho que não espelha reflexos, uma mesa com timbres permanentes e uma ânsia pelo passo da haste do cronómetro. "


quarta-feira, 25 de abril de 2012

A Sede Dos Amigos


“Para o solitário, o amigo é sempre um terceiro”. Eu e Mim somos a igualdade do abismo, a soma da vulnerabilidade, um cadeado fechado por um intelecto nu.
 Os verdadeiros amigos resultam da fusão dos desamparados.
Ter amigos é ver através e para além deles, pois os amigos são o ar puro que respiramos, o curativo de muitas chagas, são o pão nosso de cada dia nos dai hoje…
Temos amigos enquanto somos felizes, mas no obscurecer do horizonte ficamos sozinhos.
Não podemos ter amigos sem ter inimigos. O teu inimigo supera o teu melhor amigo: ele vê e julga as tuas falhas, sem medo de as apontar.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Comprimido



















Esticou-o do peito
E esvoaçou, para lado nenhum.
Apagou-se?

Ao partir o comprimido
(Para curar os males da sua enfermidade)
Deu de comer ao seu vício.

A manhã rasga o horizonte,
E os seus olhos ardem por um prato anavalhante.
Perde o seu fôlego, comprimido pelo implacável destino.
Queimado vivo pela realidade, numa fogueira condenável.

O Universo expande-se, as galáxias afastam-se,
Estava escrito nas estrelas que a vida é efémera e não indolente. 

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Embarcações que fundeiam distantes ao porto

Estamos sentados na areia,
Aguardando pelo irrevogável poente -
Uma negrura que não volta atrás.
Cerra-se o olhar e dele escapam os rasgos da maresia.

Hoje eu sou uma alma penada
E o tempo foge-me por entre os dedos,
Porque as minhas mãos estão embriagadas.

A minha alma é água fria que verruma,
Mais inerte do que a bruma:
São embarcações que fundeiam distantes ao porto. 

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

As premonições da minha morte

The Cemetery and Graveyard


Querida sombra,
Sublimes flores no teu sepulcro, hoje, abandonaram.
E elas brilham graciosas no resplandecer do luar, no ar frio.

Ouve o clamor, daqueles que te desprezaram:
Um grito elevado e excessivo vindo dentro de mim.

Querida sombra, fiel guardiã dos meus passos,
Responde-me: Como pode um corpo ser esquecido?
Esquecido e confiado às planícies alheias…

Esta manhã caminhei pelo campo,
Adivinhando as premonições da minha morte.
O medo acossava-me de boca açulada,
Deixando o meu corpo esventrado. 

domingo, 31 de julho de 2011

O Mito Do Desejo

Eles saem, na noite vazia,

Numa rotina asfixiante e encolerizada

Como se fosse um ritual.


E caem, numa cratera escura,

Cegos pelo mito do desejo…

Os seus espíritos voam em silêncio,

E desaba o vazio dos seus corações.

Desaba o desespero…

… O desespero dos homens que perderam o seu juízo.


E eles vão, não marcham sós,

Procuram os seus caminhos, e o que há de mais frio neles:

O Amor.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

As crianças

Balouço como um infante,
No balancé do submundo.
Ofego de um pranto assombrado,
Porque hoje já não sou criança.

O Destino nunca me reconheceu como seu fruto,
Pois o olhar sempre me foi cego.
E o Tempo, esse me baptizou como incógnita,
Como se baptiza um quadro truncado, sem nome e sem autor.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Tempo


Quanto tempo a vida nos dá para existir?

Quanto tempo nos dá o Tempo para sermos carnais?

Quanto tempo possuímos para soltar a voz num findo fado?

Quanto tempo temos para soltar estes trajos

E vestir nossas peles enrugadas?


Se o Tempo tivesse tempo,

Nossas vidas não seriam coisa alguma.