quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Embarcações que fundeiam distantes ao porto
Estamos sentados na areia,
Aguardando pelo irrevogável poente -
Uma negrura que não volta atrás.
Cerra-se o olhar e dele escapam os rasgos da maresia.
Hoje eu sou uma alma penada
E o tempo foge-me por entre os dedos,
Porque as minhas mãos estão embriagadas.
A minha alma é água fria que verruma,
Mais inerte do que a bruma:
São embarcações que fundeiam distantes ao porto.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
As premonições da minha morte

Querida sombra,
Sublimes flores no teu sepulcro, hoje, abandonaram.
E elas brilham graciosas no resplandecer do luar, no ar frio.
Ouve o clamor, daqueles que te desprezaram:
Um grito elevado e excessivo vindo dentro de mim.
Querida sombra, fiel guardiã dos meus passos,
Responde-me: Como pode um corpo ser esquecido?
Esquecido e confiado às planícies alheias…
Esta manhã caminhei pelo campo,
Adivinhando as premonições da minha morte.
O medo acossava-me de boca açulada,
Deixando o meu corpo esventrado.
domingo, 31 de julho de 2011
O Mito Do Desejo
Eles saem, na noite vazia,
Numa rotina asfixiante e encolerizada
Como se fosse um ritual.
E caem, numa cratera escura,
Cegos pelo mito do desejo…
Os seus espíritos voam em silêncio,
E desaba o vazio dos seus corações.
Desaba o desespero…
… O desespero dos homens que perderam o seu juízo.
E eles vão, não marcham sós,
Procuram os seus caminhos, e o que há de mais frio neles:
O Amor.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
As crianças
Balouço como um infante,
No balancé do submundo.
Ofego de um pranto assombrado,
Porque hoje já não sou criança.
O Destino nunca me reconheceu como seu fruto,
Pois o olhar sempre me foi cego.
E o Tempo, esse me baptizou como incógnita,
Como se baptiza um quadro truncado, sem nome e sem autor.
No balancé do submundo.
Ofego de um pranto assombrado,
Porque hoje já não sou criança.
O Destino nunca me reconheceu como seu fruto,
Pois o olhar sempre me foi cego.
E o Tempo, esse me baptizou como incógnita,
Como se baptiza um quadro truncado, sem nome e sem autor.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Tempo
domingo, 20 de março de 2011
Como podeis?
Como podeis reconhecer o oculto,
A nossa origem, a nossa meta?
Reconhecer o que pretende ser cógnito,
O que pretende ser descoberto,
E não mais se encobre na escuridão?
Como podeis caminhar com essa venda nos olhos?
Como podeis mergulhar nessa cegueira tão profunda?
Perdurar, aí, nesses braços tão frios e negrumes?
Como podeis?
Podereis?
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Eu corri, por ali, por além...
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Eros!

Eros! Peço-vos licença para amar.
A vida dissoluta pertence apenas aos caídos da demência;
O zelo aos amantes e aos amados.
Fazei de mim pessoa zelada e dissoluta;
Fazei de mim amante e amada.
Meu coração não cessa de bulir, Eros!
De bulir, num compasso tão cismático, pela tua chamada.
E impaciente, espera e sofre de febre errática.
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