
Lá estavam eles, sentados frente a frente ao meu horizonte, de bocas seladas e olhos flamejantes, se não me engano. A cadência do vinil entrava pela brecha da porta e invadia a sala de forma absorta, sem nada para dizer, nem permissões a pedir, juntava-se às labaredas, que vibravam na lareira, aos rostos daquelas figuras que somente silêncio tinham a proferir.
Ó noite, por que é que à noite a minha almofada é tão melancólica?
Por que é que meramente nela a saudade e os desejos irrealizáveis se unem ao tecido de seda púrpura e costuras fulgentes?
Ó noite… minha amiga noite, compreensivo é o teu silêncio, verdadeiras são as palavras do devaneador que assegura “a noite é dos mortos e das incertezas”.

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