Hoje é o último dia de Dezembro, não me recordo como teria sido o anterior, mas cálculo deprimente. É sempre deprimente, acabar uma coisa com que não nos satisfizemos.
Pergunto-me se tudo o que fiz foi correcto, se tudo foi como eu queria que fosse. A reposta sem nenhuma dúvida nenhuma, é não. O que foi isto por que passámos? Sim "passámos", porque eu sou um duo. Eu sou um ser dividido em dois, o 'eu' e o outro lado do espelho, que ainda é um pouco desconhecido. Este 2008, resumido a (quase) infelicidade total, parecia como uma janela que não queria fechar num dia de chuva em pleno Inverno.
Senti-me como a dormir na escuridão, e nada me acordava, haviam apenas pequenas claridades que evocavam por mim.
Tantas questões, tantas incertezas, tanta insegurança, ilusão e melancolia. Resume-se tudo a isto, nós não queríamos que assim fosse. Fugi-mos, escondemo-nos, andámos camufladas, famintas, com frio e sede.
O amor não chegava, talvez quiséssemos mais (ou menos), e o que havia não sabia desfrutar o suficiente de nós, ou então éramos nós que não tirávamos todo o partido dele. Como se fossemos dois lobos que se amam selvagemmente, éramos unicamente nós, sentíamos vontade de morder, rasgar e amar a nossa pele e depois chorá-la.
Nada passava de um piano, um piano que nem existe, de teclas que eu carregava para te evocar a ti, sim porque eu te evocava, e ainda hoje evoco, falo "sozinha", ou melhor falo contigo, falo comigo. Ouves sempre, sempre ouvis-te e respondes-me, sempre desses-te tudo o que achavas e sempre me mordes-te a pele quando foi preciso. Estives-te lá quando eu não conseguia abrir os olhos de tão inchados que estavam (porquê?), quando não quis comer, quando não quis dormir, quando não quis ouvir, nem ver, quando eu quis morrer. MORDESTE-ME, quando percebes-te que eu precisava que acordar. Não sei se te culpar a ti ou a mim, por tudo o que nos tem acontecido, mas meu amor, amor meu, o mundo nunca esteve contra nós, nem o mundo nunca nos vai agradar (totalmente). Não vivemos tudo o que era belo, nem vamos morrer sem ver, não chores mais por mim...porque não vou aguentar, e vou chorar por ti, precisamos de acordar, precisamos de nos morder. Porque sempre foi assim... um piano com algumas peças partidas, que precisam de uma renovação...
Sempre houveram flores no jardim, que nos faziam sorrir, sempre houve sol para nos aquecer e chuva para nos matar a sede! Sempre houveram mãos, dedos, braços, pernas e pés para mordermos, sempre houveram lábios para metermos a sangrar, sempre houve veneno!
E confessámo-nos poetas, e gritámos:
"Os meus dedos dançam sobre as teclas,
Envolvem-se com as canetas,
Que reprimem a tinta a fluir pelo papel. "
Queremos ter fúria e ao mesmo tempo paixão por aqueles que não nos quiseram amar e ao mesmo tempo, nos tornaram poetas...
Terminámos assim o 2008, no qual nos falta algumas horas para terminar. Para nós terminou, nunca deixaremos ninguém nos partir o espelho, nunca deixaremos de morder para acordar.
Iremos ser irónicas, e apesar de tudo adormecer mordidas e a sorrir.
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2 comentários:
feliz ano novo!
Vai ser apesar da crise um bom ano...estou mesmo com fé em mim... E o meu desejo é que todas as pessoas se encham de esperança nelas próprias. Temos todos de começar por algum lado e eu prometi que serei uma pessoa melhor.
Beijinhos obrigada pela paciência na leitura, desejo-te um ano repleto de VIDA!
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