"Existe uma vela acesa, ao fundo da sala, um espelho que não espelha reflexos, uma mesa com timbres permanentes e uma ânsia pelo passo da haste do cronómetro. "


quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Bêcos de Dezembro



Durante onze meses,
São somente vulgares, lastimosos,
Pousados numa beira, sentados num banco,
Miseráveis, desprezíveis.

Nem um pouco de pão têm na mão,
nem uma esmola no seu gasto e imundo chapéu.
Bebem, desperdiçando o pouco que têm,
Lutam pelo que afiguram ter.

Isto porque, só uma vez por outra se recordam deles,
Durante aquele tempo todo,
Só se lembraram de colocar uma moeda no chapéu, uma vez por outra.

E só agora, que chegou o Natal,
A época mais esperada por todos,
A época que nos satisfaz mais a uns do que a outros,
Aquela em que dizem que nos cai um gordo pela chaminé
e nos doa umas quantas coisas...
Aquela época que nos tira das beiras das ruas, dos bancos,
Dos becos da cidade,
Para comermos uma sopa quente e alcançar um agasalho.

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