"Existe uma vela acesa, ao fundo da sala, um espelho que não espelha reflexos, uma mesa com timbres permanentes e uma ânsia pelo passo da haste do cronómetro. "


terça-feira, 25 de novembro de 2008

Memórias que nunca se vão...


Acordo ao som do rumor dos teus passos,
Acordo ao som do rosnar das feras,
Loucos que fazem ruído na esperança de desaguar.

Éramos nós, corpos entendidos,
Amantes do bem-querer,
Amantes do nosso calor mutuo,
Amantes de nós…
Perdidos na desordem, e unidos pela chama…

Memórias que nunca se vão…

sábado, 22 de novembro de 2008

Quando tudo parou em mim,

Olhava de arredado pela janela,
As estrelas que já não posam mais em meus céus,
Sentia o rumorejar da noite,
Como se os lamentos fossem meus.

É verdade meu amor,
E o nosso dia que esgotou,
Resta-me saudade e melancolia,
Das memórias que não mais retorceram.

E tudo cessa, sem cessar,
Tudo pára em mim,
O mundo que gira, sem girar,
Como se sem tempo, tudo o fosse o fim.

Resta-me aguardar… aguardar até ver,

Céus perfeitos de negro e prateado, a romper.

sábado, 15 de novembro de 2008

De madrugada arrefece,


Levei meu corpo despido para as ruas,
Suspensa na madrugada,
Descobri-me na neblina,
Descobri-me por entre a precipitação e a frialdade,
Caminhando livremente.

Perguntavam-me se era demente,
Ofereciam-me um agasalho,
Apenas contestava tudo.

Sorria, e aquecia-me com o pranto,
Que gotejava pelo meu rosto,
Estava ali,
Parada, congelada, admitindo demente…

Pois jamais consigo ter frio, sem suplicar teu calor.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Sopro as cinzas,


Correndo por entre as ruas,
Fugindo da sala de espelhos,
Não querendo ver mais reflexos.

Escondendo-me atrás da muralha do velho castelo,
Enterrando-me com noite,
Dando suspiros,
Dando gritos,
Lamentando…

Sopro, as cinzas,
Das rosas, que em minha mão secaram,
Flores que não gosto,
Flores que me picaram as mãos, obstando por mim.


Sopra o vento, lá de longe… é hora de partir.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Quando eu partir, vens comigo?


E se eu te disser, que na noite passada, estive à beira mar?
Sentindo as ondas, a ir voltar,
Junto aos meus pés…

E se eu te disser, que escutei a musica do oceano,
E me deitei junto a uma rocha,
Onde se encostaram as ondas de maresia que já vieram e já se foram.

E se eu te disser, que me deitei sobre a areia,
Adormecendo num sono profundo,
Do qual só acordei com o som da tua voz,

E se eu te disser mil palavras,
Todas vão apenas resumir-se a poucas,
Com um enorme significado…
Mas pergunto-te meu amor, quando eu partir, vens comigo?

domingo, 2 de novembro de 2008

Isoladamente

Fechei a minha porta,
Para que não possas entrar,
Fechei a minha porta,
Para ninguém me tocar.
Fechei a minha porta para não te ver.
Isolei-me para não mais sofrer.

Planto sementes no chão, de flores
Que só crescem com o chover da minha dor,
E abraço-me à ultima coisa que me resta,
Abraço-me à minha nobre e enorme melancolia.

Grito, bato e mordo e por fim, rasgo-me do mundo.

sábado, 1 de novembro de 2008

Faminta de ti









Sentada no parapeito de minha janela,
Observando a beleza da noite,
Suspirando e me arrepiando com o frio soprar do vento.
Batem-me os cabelos na cara, tocando-me suavemente na boa,
De olhos meio fechados, saboreando o momento,
Engolindo o sabor vazio do vento.

Tenho fome meu amor,
Tenho fome dos teus beijos,
Tenho fome de ti...

Estou fraca morro de frio e fome,
Espero por ti, porque a teu lado aquece, aquece-me...