"Existe uma vela acesa, ao fundo da sala, um espelho que não espelha reflexos, uma mesa com timbres permanentes e uma ânsia pelo passo da haste do cronómetro. "


domingo, 30 de maio de 2010

Amor puro



Amor perdido,
Acusado foi o meu ser de te perder,
No meu leito, nas minhas mortalhas,
Nos meus passos, nos compassos,
No tempo, na sorte.

Amor perdido,
Por onde vais?
E porque perdido foi nomeado o teu vulto?
Porque te fui eu naufragar,
Nos recantos da minha mente?


Amor,
Renuncia ao vento os desertos,
Renuncia aos loucos o bem-querer,
Renuncia o interesse dos comodistas.


Amor,
Dispo a minha mácula
E me encho de cegueira,
Exploro o teu odor remoto, oco de perdição.

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