"Existe uma vela acesa, ao fundo da sala, um espelho que não espelha reflexos, uma mesa com timbres permanentes e uma ânsia pelo passo da haste do cronómetro. "


domingo, 30 de maio de 2010

Amor puro



Amor perdido,
Acusado foi o meu ser de te perder,
No meu leito, nas minhas mortalhas,
Nos meus passos, nos compassos,
No tempo, na sorte.

Amor perdido,
Por onde vais?
E porque perdido foi nomeado o teu vulto?
Porque te fui eu naufragar,
Nos recantos da minha mente?


Amor,
Renuncia ao vento os desertos,
Renuncia aos loucos o bem-querer,
Renuncia o interesse dos comodistas.


Amor,
Dispo a minha mácula
E me encho de cegueira,
Exploro o teu odor remoto, oco de perdição.

sexta-feira, 21 de maio de 2010


Desejo-te: "Tem uma boa vida,

Parte para onde te julgares capaz,

Encontra uma bela guarida,

Mas não me digas para aonde vais".



Desabas-me nas vertigens,

Exaltas os silêncios,

Comparas-me aos ventos.

Hoje estou compenetrada,

Enraizada de certezas,

De que a tua audácia, ó noite,

Me despiu a inocência.



Caminhavas sedutora,

Descoberta e descalça,

Chamativa e encantadora,

Na meia-noite que me falta.



E se não te encontro hoje,

Ó noite, se não te agarro…

Permanecerei tão imponderável e intocável.

domingo, 9 de maio de 2010

Ó moça


Ó moça que passa,
No meio da praça,
Provoca a desgraça,
Aonde não passará mais.

Ó moça que passa,
Cheia de graça,
Não me quereis dizer aonde vais?

Ó moça que passa,
Descalça e esgarça,
Embaraçada fugida do Arrais.

Não vos quero mais ó moça,
Não mais, não mais.