"Existe uma vela acesa, ao fundo da sala, um espelho que não espelha reflexos, uma mesa com timbres permanentes e uma ânsia pelo passo da haste do cronómetro. "


quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Pudor

Acordei memorando, na minha arrogância e sentimentalismo frio, aquela tarde em que eu e o moço nos unimos, essa mesma tarde em me expeli da sua casa com ressentimentos e cicatrizes.
Usufrui dos seus ósculos, dos seus amplexos e do seu físico, sem nada sentir, para além de saudade do meu velho amor. Uma tarde de volúpia, com esse significado apenas. Apesar da minha relutância a curiosidade foi mais insubmissa. Uma tarde em que exigia mitigar o meu amor por ti, mas nem aquele moço nem o sucedido te afastaram da minha mente, pelo contrário aproximaram-te ainda mais…aproximaram-te ainda mais.
O teu ser está presente, como se fosse uma quimera que não me quisesse deixar só e na opacidade do vazio atormenta-me a alma com velhas recordações.

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