"Existe uma vela acesa, ao fundo da sala, um espelho que não espelha reflexos, uma mesa com timbres permanentes e uma ânsia pelo passo da haste do cronómetro. "


sábado, 28 de novembro de 2009

Embrenho!

Olho para a janela com estranheza,
Lá em baixo campos distantes, oscilantes,
Que brincam com minha incerteza.
Oh amor… meu amor,
Amor, que já não és mais meu!
Cuidei de conhecer a meia-noite,
Quando no céu a opacidade cedeu.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Permanência

Passos descalços pela chuva,
Demência por não te ter,
Indo pela noite nua,
Pisando as ébrias marcas,
Que me levam ao alvorecer…

Há quanto tempo meu amor!
Há quanto tempo não te vejo,
Há quanto tempo te odeio
E há quanto tempo te desejo.



Pudor

Acordei memorando, na minha arrogância e sentimentalismo frio, aquela tarde em que eu e o moço nos unimos, essa mesma tarde em me expeli da sua casa com ressentimentos e cicatrizes.
Usufrui dos seus ósculos, dos seus amplexos e do seu físico, sem nada sentir, para além de saudade do meu velho amor. Uma tarde de volúpia, com esse significado apenas. Apesar da minha relutância a curiosidade foi mais insubmissa. Uma tarde em que exigia mitigar o meu amor por ti, mas nem aquele moço nem o sucedido te afastaram da minha mente, pelo contrário aproximaram-te ainda mais…aproximaram-te ainda mais.
O teu ser está presente, como se fosse uma quimera que não me quisesse deixar só e na opacidade do vazio atormenta-me a alma com velhas recordações.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Quimera



Hoje sonhei contigo, ó meu Romeu,
Com a exuberância do nosso velho amor…
Sonhei que te seguia o rastro do aroma,
E que te queria sem lassidão.

Esgrouviado amor… Nodoso,
Peço não mais querer este veneno repeso,
Que por vicissitudes me dá a vontade mitigada…
…De almejar bebê-lo um pouco mais.



(Ainda penso em ti)