"Existe uma vela acesa, ao fundo da sala, um espelho que não espelha reflexos, uma mesa com timbres permanentes e uma ânsia pelo passo da haste do cronómetro. "


sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Meu amor impossivel (2)








Hoje acordei meu amor,
Pensando em ti, e sentindo o teu perfume,
ainda fresco, nos meus lençóis.


Relembrando os meus sonhos,
Sonhos meus de te ter,
Sonhos meus de te beijar e te querer.


Incerta, culpo meu débil coração,
por meu amor impossível,
que nunca me deixa a cabeça sem vazio

Abro minha janela e olho para os ceús ainda pintados de fresco com tinta prateada.


Onde estás tu meu amor?

sábado, 25 de outubro de 2008

Veneno

Espetaram uma faca no meu peito,
o peito meu que chorou,
chorou lágrimas vermelhas acastanhadas,
e uma linha por meu corpo a baixo desenhou.
Pingando, pingo por pingo, sobre minha mão,
não resisto a beber, deste veneno...
o roxo pinta os meus lábios e o cinzento cobre os meus olhos...
absorvendo o meu ser, maldita Morte !

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Insegurança


Tenho o lábio rasgado, dos teus beijos meu amor.
Tenho o peito ferido, com falta do teu calor,
Suspiro, pela tua ausência, suspiro de saudade…
Suspiro por não compreender a nossa realidade.
Tenho medo de me perder em ti e nunca mais me encontrar,
Tenho medo de cair e me afogar.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Caminho

Fugi para longe da ponte, para longe da cidade…
Corri sem olhar para trás, corri para a frente,
Procurei por algo, procurei por mim,

Bati contra um muro, tropecei em gato preto.
Cai na agua da velha nascente,
Com meu corpo desnudo,
Corpo negro em aguas brancas,
Mente suja em aguas limpas,
Pensada inocência, na ferida que tanto dói.

Movi-me para fora das aguas,
De corpo lúcido e vivo,
Minha pele acesa pela luz do luar.
Cobrindo-me num manto de coroas-de-monge
Aquecido com calor de teu olhar.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Duas e várias coisas

Encravaram as teclas do meu piano,
Sai um som, horrendo,
Sem tom…

Dois segundos, duas teclas carregadas,
Duas pessoas, dois beijos, duas cidades
Duas muralhas e imensas barreiras…

Sigo as gotas de chuva cuspidas por alguém,
Corro até ao fim do percurso que elas completam.
Estou em fôlego, o meu coração bate, bate e bate
Juntamente com o relógio da torre, que bate quatro vezes.
São quatro da manhã, quatro horas perdidas em busca de ti,
Seguindo o caminho de gotas enroladas em caramelo.

Totalmente imóvel de pés colados ao chão,
Não me conseguindo mover mais!

Perdoa-me meu amor…

Sombra de Pranto,

Caminhei até ao velho campo,
E na sombra do sol me deitei,
De caderno sobre a perna,
Desenhando alguns fragmentos de lua,
Em que sonho tocar…

Tocar-lhes com a boca,
E experimentar o seu sabor.
Dizem que a lua sabe a queijo,
Mas na minha ilusão ela é salgada como as gotas de pranto.
O pranto é pior que amor, é veneno fatal.

Pranto sabe a praia,
Pranto é salgado,
Pranto sabe a desilusão,
Pranto sabe a dias maus,
Pranto sabe a risos infinitos,
Pranto sabe a sangue,
Pranto sabe a romance,
Pranto sabe a morte,
Pranto sabe a fim.

Pranto é droga, que alivia e alucina a mente do ser humano.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Despertar da razão

Acordam-me os olhos,
Frágeis de sentir o toque da noite.
Acordam-me os olhos
Enlouquecidos pelo brilho do luar,
Levantando-me e caminhando…
Batendo contra um obstáculo.
Merda! Como dói,
Como dói a solidão.
Recompondo-me e engolindo a dor,
Tentando não relembrar que estou só,
Tentando ocultar pensamentos impossíveis, e
Antigas esperanças.
E voltando a me deitar,
Na teia de espinhos, produzida pelos nós de minha garganta,
E regada com o licor de meus olhos.

Noites frias de Inverno,
Noites em que me congela o peito,
Noites em que me queima a mente com o doce sabor do luar.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Perdi-me de mim.

Perdi-me de mim, neste meu mundo
e não me encontro.
Perdi a noção do meu ser,
esqueci-me de quem sou.


Onde estou eu?
E onde está o rasto deixado pelo meu antigo ser?
O rasto de folhas que o vento levou,
o rasto de folhas que o vento usou....
o rasto de folhas com que o vento brincou.

Ali está ele, o meu antigo ser,
esquecido, perdido, adormecido.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Salva-me do mundo !

Salva-me do mundo meu amor,
salva-me das mágoas e das feridas,
das feridas do meu corpo, que nunca sararam,
das marcas que nunca me deixaram.


Tira-me estas memorias da minha cabeça,
memorias pesadas, memorias rasgadas, mas que nunca desapareceram.

Mas são aquelas memorias que já fazem parte de mim,
que resistem como diamantes no meu pensamento,
já não as conhecendo, já não as percebendo, já não as sentindo...
Mas elas estão e sempre permaneceram no fundo do meu ser.

Lagrimas caem do meu rosto,
tal como escorre o sangue por entre os meus dedos.
Penso sem pensar,
tentando compreender, como acabará este mundo,
em que o fim de todos é igual, morrer...
Prefiro desistir da vida... se o meu fim será assim,
este tempo todo lutei, por ser alguem, por ser eu..
Mas tudo acabará assim, de maneira igual !

sábado, 4 de outubro de 2008

Noites de Novembro

Na escuridão de uma noite de Novembro,
um pirilampo brilhou...
Chamando à atenção de algum ser,
tal como a mim me chamou...
Não era pirilampo, e algumas pessoas não a consideram uma criatura bela,
mas para mim ela é a mais bela Cinderela.

É apenas uma flor, que ainda não floresceu,
mas ao chegar da noite,
ela brilha e desencadeia o meu olhar...

Tulipa amarela,
perfume lua cheia, preenchendo minha vida,
dando-me alegria nos dias de nevoeiro.
Quero passar os vários Novembros da minha vida,
a cheirar teu perfume.

Leve brisa de vento

leve brisa de vento, por meu corpo passou,
derretendo meu sentido e me tentando deixar cair.
A leve brisa de vento que leve deixou de ser
e me levou ao chão para o conhecer.

Socorro! cai de cabeça meu amor,
fiz uma ferida, e meu corpo sangrou.
Sangrou o sangue que não era vermelho,
sangrou até à morte.

Morri devagar, meu coração parou,
ali naquele passeio...
Caminhava em busca da felicidade,
mas decerto que serei mais feliz assim...