"Existe uma vela acesa, ao fundo da sala, um espelho que não espelha reflexos, uma mesa com timbres permanentes e uma ânsia pelo passo da haste do cronómetro. "


sexta-feira, 17 de abril de 2009

Acordar com o soprar, da leve brisa leve.


Acordar com o soprar, da leve brisa leve.
Sinto uma livre mariposa,
Caída em meus lábios,
Via-me dormir, talvez
Não sei, não saberei.

Sinto o corpo molhado,
Por dormir no chão borrifado pela chuva.
O céu parado, palpável.
O ar, que sugo com os lábios,
Quase como perfume
É caramelo, que chupo!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Confessioni



Foi? Foi dia?
Eu não sei.

Agarrei-me a seus braços, fortemente,
Como se fossem as bóias que me salvassem da perdição deste mar.
Os meus lábios colaram-se aos seus,
Como lapas, em rochas.
Permanecemos como pedras…
Uma escultura imóvel,
De corpos entrelaçados…
…até ao cair da opacidade.

Pausa



Fecha os olhos…
Consegues ouvir?
É o som da noite, da noite silenciosa.
Escuta novamente, dá-me a mão…
No silencio, escuridão, os nossos corpos unidos escondidos…


Vermelho, laranja e verde, as cores do semáforo de qualquer emoção.



Sentado num banco, do outro lado da estrada,
Transporta consigo livros de poesia, luares vazios, utopia
Dá-me a mão destemido Romeu,
Romeu que não caiu, e a meu lado perdurou…
Os nossos pés dispersam-se, quase que deslizam pelo chão.
Quando eu agarro a sua garra, o piano toca a melodia,
E suas notas, tocam, tocam no meu olhar,
Como suas palavras, o seu toque, o seu bafo, o seu respirar…
E por fim o seu beijo, a sua forma de manifestar o cear, o consumir.


O dia é noite, ou a noite nunca foi dia?