Cortei-me no vidro,
Daquelas paredes que entupiam o ar.
Arranhei o canto do olho de tanto lograr.
Suspirei, respirei, logrei,
Contei até três...
Agora me zango e digo de voz fria e cruel,
Que aquilo que mais me arrepia é o vazio que perdura por aqui.
sexta-feira, 29 de maio de 2009
terça-feira, 19 de maio de 2009
Tenho medo
Tenho medo,
Do escuro e da noite.
Dos cães que ladram sem piedade.
Tenho pudor do meu eu,
E pudor por quem me desgosta…
Tenho medo,
Que aquele pavoroso cão me crave.
Tenho medo de que o céu fique nublado.
Tenho medo de que me abafes!
E tenho medo que o nó não se solte.
Como poderá alguém gostar de mim?
Se nem de mim mesma eu gosto!
Tenho medo, grito… TENHO MEDO!
Do escuro e da noite.
Dos cães que ladram sem piedade.
Tenho pudor do meu eu,
E pudor por quem me desgosta…
Tenho medo,
Que aquele pavoroso cão me crave.
Tenho medo de que o céu fique nublado.
Tenho medo de que me abafes!
E tenho medo que o nó não se solte.
Como poderá alguém gostar de mim?
Se nem de mim mesma eu gosto!
Tenho medo, grito… TENHO MEDO!
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Não há apreço
sábado, 2 de maio de 2009
Incandescência
Podia crer que conseguia visualizar sinais de fogo, sons, tambores, os olhares e risos das pessoas que anteriormente me rodeavam.A ilusão foi o primeiro sinal. Desafiada por um desconhecido nas minhas terras, num beco que talvez não conhecesse tão bem. O aprisionamento foi o segundo sinal e o ultimo que tive da superfície, poderia dizer, quase que enterrada numa furna, abaixo do sol. Sede, fome e inconsciência, apreendendo uma dieta rigorosa de raízes de plantas e pequenos animais.
Agora me deito, aqui, encostada a uma rocha, já nem há dor, após quinze anos passados o corpo quase que se aclimou.
Tudo se iniciou quando Noor chegou à minha tribo – uma pequena tribo indiana, localizada no norte do país que tenta um pouco acostumar-se com o que ocorre em relação ao globo –. Ainda me recordo de quando ele chegou à capital, o seu cabelo liso, loiro e curto, a sua pele clara. Noor falava português com um certo sotaque inglês, mas sabia cativar as pessoas como ninguém. Noor não me agradou desde o início, tentava manipular tudo e todos, com o seu álcool e droga que trazia consigo da Europa e mais tarde tentava a escravidão. Não me deixei impressionar, tentei expulsá-lo para protecção dos meus entes queridos e para protecção da tribo a que pretenso ou pelo menos pertencia. Era isso que lhe agradava em mim, dizia-me ele. Sempre que Noor tentava implantar algo em minhas terras, eu não me deixava ficar quieta e impedia que acontecesse fosse o que fosse. Para Noor eu era um grande problema.
Foi na comemoração da cerimónia do fogo que Noor aqui me prendeu. Noor encontrou-se no porto com seus amigos, vindos eles da Europa. Hospitalizando-se numa estalagem perto do rio, dias mais tarde após a sua chegada escutei uma conversa entre ambos, os Europeus planeavam arder a minha tribo, o meu instinto dizia-me para fazer algo e não permitir o acontecimento. Tentei alertar todos os membros da tribo, aterrorizada, todo aquele tempo os tínhamos servido, com as nossas especiarias e bens matérias, e aquela era iria ser a nossa recompensa, a nossa morte e a perda das nossas terras em substituição da exploração das nossas minas. O encanto que os europeus tinham provocado na tribo era demasiado, ninguém acreditava em mim, nem a minha própria família. Noor convocou um médico que me acusou vítima de bruxaria, e em instantes a tribo toda creu.
Na cerimónia do fogo, todos se reuniram à volta de uma grande fogueira, com os nossos trajes de comemoração, dançando, batendo os tambores e aliciando o fogo. Não me conseguia alegrar, apesar de ser uma das cerimónias mais importantes para a tribo. De longe vi Noor, tentando acender um cigarro, a minha ira era tanta que por instantes estava à sua frente, por segundos perdi a cabeça e ataquei-o, queimando-o com o cigarro no seu corpo. Noor embraveceu, agarrou-me por um braço, agredindo-me até eu cair de exaustão, fechei os olhos como se não fosse eu que estivesse a ser agredida e quando os abri, já nem havia sinais da tribo, estávamos num outro local, mas perto, conseguia sentir…
Noor visitava-me de tempo a tempo, dando-me novidades da tribo. Um dia, informou-me que grande parte da tribo tinha falecido no fim da cerimónia do fogo, esmagada por uma manada de elefantes…não me acreditei, calculei que fosse obra de Noor e seus amigos e acusei-o. Noor agarrou numa pedra, os seus dedos estavam vermelhos, a sua mão tremia devido à força que ele exercia sobre aquele corpo…até que a lançou, lanço a pedra ao ar até que me acertou na cabeça e adormeci profundamente, durante quinze anos….
-Está a acordar… Achámos que nunca iria acordar.
-Como se chama, de onde vem?
Estava desperta… Contaram-me que o refúgio onde me abrigava tinha se desmoronado comigo lá dentro e eu tinha ficado em coma este tempo todo, agora despertei deste sonho de reviver o passado. A primeira visita chegou, um homem europeu, com o cabelo liso e loiro de pele clara, podia crer que o conhecia de algum lado, de um sonho talvez.
-Quem é?
-Noor um grande amigo…
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